1 Ano de Design by Marcelo Kertesz

No mês passado completei 1 ano na California, onde estou estudando ‘Product Design’ na Domus Academy. Para mim foi uma ano de intenso aprendizado. Dentro e fora da escola. Criar – e desenvolver – produtos é uma coisa que sempre tive imensa curiosidade. Sempre me pareceu uma coisa mágica, distante. Coisa de americanos, alemães e italianos, com ajuda – na ponta final – dos chineses e suas infinitas fábricas. Sempre me fascinou pensar nas milhares de decisões que tem de ser tomadas para fazer qualquer coisa. De um abridor de lata a um iPad.

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Grid de Largada by Marcelo Kertesz

O programa de estreia de uma campanha é sempre um momento de grande expectativa. É como uma largada de fórmula 1 Comece mal, e a sua recuperação vai ser lenta e sofrida. Comece bem, e você trabalha muito melhor: olhando para frente e mais preocupado em superar seus próprios recordes do que com os obstáculos à frente.

Não é à toa que geralmente assistimos ao primeiro programa reunidos com a equipe, todos muito apreensivos. Como será que vai ficar no ar? Será que está melhor que os dos concorrentes? Será que minha mãe, assistindo em casa, vai gostar?

Até hoje, o mais marcante para mim foi o primeiro programa de Fernando Haddad, na campanha à prefeitura de São Paulo em 2012. Um programaço. As trilhas, a edição, os gráficos... tudo estava do jeito que a gente queria. Foi um puta começo de campanha. Tão bom que até hoje acho uma "homenagens" perdidas por aí. Até no Panamá, onde estivemos fazendo campanha recentemente, um concorrente nosso copiava, plano a plano, trechos do programa inaugural de Haddad. Pra quem quiser ver, segue o primeiro programa de Haddad. No link seguinte, algumas das "homenagens" encontradas por aí.

As "homenagens"...

O outro Lula by Marcelo Kertesz

Uma parte boa do trabalho de edição é feita pelos "bons acidentes". E algumas dessas coincidências são assustadoras. Ainda estávamos na fase de pré-campanha de Lula à presidência, no início de 2002. Eu montava uma peça de TV para o programa semestral do PT. Era uma peça emocional, que mostrava as andanças do Lula pelo país nas então famosas "Caravanas da Cidadania". Já era tarde da noite e a edição estava chegando ao fim. Faltava somente achar uma boa trilha para acompanhar as cenas de viagem. Meu método de procura consistia em colocar palavras-chave no iTunes (era uma novidade!) e ouvir as músicas cujos títulos fossem relacionados ao tema. Numa dessas buscas, apareceu "A Vida do Viajante", cantada por Luiz Gonzaga e seu filho, Gonzaguinha. O título era promissor. E nos primeiros versos, já me animei. A letra começava: "Minha vida é andar por este país..." Boa! Achei!

Mas foram justamente nos segundos finais daquela gravação que a coincidência apareceu. E me deu um puta susto. É que a música terminava com uma conversa de pai e filho, Luiz Gonzaga e Gonzaguinha. Mas, do jeito que apareceu, parecia mais um recado do Luiz Gonzaga – diretamente do além – para o Lula candidato. Gonzagão chamava o seu filho de "Lula" (apelido que eu nem sabia que ele usava) e dizia coisas como: "Lula... Não esqueça do povão!", "tome conta do povão". E o mais impressionante é que o "Lula" respondia: "Um dia eu chego lá...". E chegaria mesmo. Eu não sou muito de presságios mas aquela coincidência foi foda. Pode ouvir.

Se quiser ir direto para o trecho do "Lula", pule para 2m58s.

A música deu tão certo que depois, durante a campanha, fizemos uma gravação original com Zezé Di Camargo & Luciano

Sequestro-Relâmpago by Marcelo Kertesz

Essa é uma peça de campanha política que gosto muito. Ela fez parte do programa de segurança da campanha de Fernando Haddad à prefeitura de SP em 2012. Um tema difícil. As histórias de violência eram comuns na cidade, mas não era fácil contá-las de uma forma emocional e eficiente, sem ser apelativa ou piegas.

Já tínhamos um depoimento muito forte, mas estávamos insatisfeitos com o formato. Buscávamos um novo jeito. Por indicação de Lessandro Sócrates, nosso editor, eu tinha acabado de assistir The Thin Blue Line, documentário de 1988, do diretor Errol Morris. Estávamos discutindo a linguagem do filme, quando Lessandro e o diretor Rodrigo Siqueira sugeriram filmar uma reencenação de alguns trechos da história e contá-la ao estilo do Thin Blue Line. Assim fizemos. Ivan Abujamra dirigiu (e também atuou*) a reencenação. Rodrigo Siqueira, captou as cenas de depoimento. Lessandro fez uma brilhante montagem e o maestro João Andrade, a trilha. O resultado está aí:

*Ivan é o carequinha, visto de cima do lado do passageiro, com a arma na mão

**Update: como minha memória é falha, o diretor Rodrigo Siqueira corrigiu a autoria de algumas coisas importantes. Peço desculpas e replico aqui o comentário dele com as devidas correções:

"Quem sugeriu filmar como o The Thin Blue Line fui eu, Rodrigo, e não o Lessandro. Quem dirigiu fui eu, não o Ivan. Além da entrevista, eu escolhi cada frame para contar a história. O resto é ficção."

Retratos animados by Marcelo Kertesz

Pequena animação que fizemos para o último programa, exibido em 15 de maio. Com participação de Cris Uflakker, animação de Vitor Cervi, ilustrações de Romolo e trilha do maestro João Andrade, da Base Sonora (RJ). A parte que mais gosto são os retratos do final.

Quem quiser ver o programa inteiro, que começa com o polêmico "Fantasmas do Passado", tem nesse link aqui.

Powertype by Marcelo Kertesz

 Escolhendo tipologias de campanha

Escolhendo tipologias de campanha

Uma das partes que mais gosto na criação de uma campanha é o estudo da tipografia Pra quem gosta do assunto, tem uma matéria muito boa de Steven Heller (o cara que mais escreve sobre deisgn gráfico no mundo) na última edição da revista Baseline. A matéria chama "Type as agent of power" (Acho que não tem online, se alguém achar, me avisa), mas dá pra encomendar a revista no site www.baselinemagazine.com)

Great Times are coming by Marcelo Kertesz

Em 2011, quando estava na agência Africa, pegamos a maravilhosa tarefa de lançar Budweiser no Brasil. A cerveja chegava com um posicionamento premium, internacional. Lá fora, o tema era "Great Times Are Coming" e, por motivos diferentes de lá, caía como uma luva no momento que o Brasil vivia. Dentre as peças da campanha, resolvemos fazer também uma música e chamar will.i.am para cantá-la num clipe.

Tentei fazer uma "engenharia reversa" nos últimos sucessos do Black Eyed Peas e percebi que uma fórmula interessante ali: {releitura de um trecho de um sucesso do passado + texto arpeado + refrão fácil e apoteótico}. Achei que ia abafar. Gravamos uma demo com o mega-talentoso Apollo Nove e mandamos para will.i.am.

Passado algum tempo de silêncio, ele finalmente marca dia e hora para uma ligação em conferência. Todos ansiosos em volta do telefone, querendo ouvir will.i.am e, principalmente, a gravação da nossa música de lançamento. Depois das introduções formais, entramos no assunto. Ele nos diz que deu uma "leve" modificada, mas que o "espírito" da música estava preservado. E, sem nenhum sinal de constrangimento, começa a cantar terrivelmente ao telefone. A música estava irreconhecível e, apresentada daquele jeito, parecia muito ruim. Silêncio absoluto. Ninguém sabia o que dizer direito, muito menos rejeitar o trabalho de alguém que entende muito mais daquilo do que todos nós juntos. Só nos restou o riso amarelo, o parabéns acanhado e marcar uma data para receber a gravação final.

Semanas depois, a música chegou. E, como era de se esperar, muito boa. Muito melhor da que eu tinha criado, inclusive. Um tempo depois ele veio ao Brasil gravar o clipe e o lançamento de Bud foi um sucesso. Guardei como recordação a minha versão original junto com um trecho daquele telefonema horrível que você pode ouvir aqui.

Trabalhamos juntos: eu, Paulo Junger, Bruno Costa, Rita Angeiras e Fábio Ozório.

A versão inicial da música:

will.i.am cantando ao telefone:

Clipe com a música final:

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¿Quién eres tú? by Marcelo Kertesz

Em 2006, meu grande amigo Péri pediu que fizesse a capa do seu novo CD, Samba Passarinho. Claro que o convite foi uma honra para mim e fiz com todo o carinho que tenho por Péri. Mas o mais engraçado veio depois. Péri inscreveu o CD para concorrer ao Latin Grammy e, para minha grande surpresa, fomos escolhidos como um dos indicados na categoria 'Melhor Projeto Gráfico', que inaugurava naquele ano. E, também pela primeira vez, naquele ano a premiação seria no Madison Square Garden, em Nova York.

Comprei as passagens, mandei fazer smoking, preparei discurso e tudo mais que o pacote "Grammy nominee" dava direito. Aluguei até uma "limo" para nos levar ao tapete vermelho. Para embaraçar um pouco as coisas, dois dias antes da festa, meu sogro teve um pré-infarto e Duca, minha mulher, teve que voltar ao Brasil às pressas. Eu, que não queria ir sozinho, tratei rapidamente de importar minha mãe e minha irmã mais nova, Mariana, para irem comigo ao evento.

Tudo pronto, os três patetas no carro, quando, ao chegar às proximidades do local, começamos a ouvir a massa de fãs que, por trás das barreiras azuis "Police Line - Do Not Cross" clamavam por alguma coisa que ainda não se entendia. Chegando mais perto percebemos que os gritos se dirigiam ao nosso carro. E logo começamos a distinguir os gritos. Era um ritmado e contínuo "Baja la ventana! Baja la ventana!", pedindo que abríssemos a janela da "limo". Olhei para minha mãe, que orgulhosa me disse: "Abra a janela, filho, é para você! É seu dia!". Hesitante, abri lentamente a janela. O côro parou por um segundo. Silêncio. E logo recomeçou, agora com outra letra. "Quién eres tú?! Quién eres tú?! Quién eres tú?!" eram os gritos indignados e decepcionados com a minha insignificância.

Como eu de fato não era ninguém, fechei humildemente o vidro e, já achando aquilo tudo o máximo, passei pelo tapete vermelho e fui aproveitar a festa. Não ganhamos o prêmio, mas certamente aquela já foi a melhor indicação à prêmio que já tive.

Uma das músicas do CD – Samba Passarinho, versão remix

O link do CD no iTunes aqui e a sobrecapa em acrílico do projeto gráfico abaixo.

Mãe artista by Marcelo Kertesz

Lá em casa a gente aprendeu cedo que dava para ser o que a gente quisesse, só dependia do nosso esforço. Você não tem ideia do medo que isso dava. E o mais assustador é que tivemos dois bons exemplos dentro de casa, para não dar margem à qualquer desculpa. Meu pai, que depois de ser prefeito de Salvador por duas vezes, largou tudo para ser jornalista de rádio, com um enorme sucesso. E minha mãe, que era Secretária de Educação e vereadora e largou tudo para ser artista plástica. Começou meio como distração e hoje ela já expôs em vários lugares do mundo e tem algumas esculturas suas espalhadas em praças públicas por aí.

Apesar de nunca dizer a ela, morro de orgulho. E além disso, é a "cliente" que mais confia em mim. Não paga, mas me deixa criar seus livros, catálogos, sites... só não deixa dar nome às suas gordinhas.

Para sua exposição mais recente – Mulheres do Brasil – tive o prazer de criar parte do espaço expositivo (junto com o experiente e talentoso William, da Elástica), além de fazer os catálogos – impresso e digital – com maravilhosas fotos de Ricardo Barcellos e sua equipe.

O melhor de tudo é que a Presidenta Dilma, fã do trabalho, abriu a exposição "Mulheres do Brasil" no Palácio do Planalto. Minhã mãe fez uma escultura monumental linda, "As Guerreiras", em homenagem aos guerreiros de Bruno Giorgi que ficam logo ali em frente. Foi um momento muito bacana. Deu até cobertura no Jornal Nacional ;)

Algumas telas do catálogo digital estão no link abaixo. Quem quiser baixar (é grátis), o link é esse aqui: App Eliana Kertész no iTunes

Diário de Campanha by Marcelo Kertesz

A primeira campanha presidencial a gente nunca esquece... A sétima então, a gente tem que esquecer como foram as outras para ter coragem de entrar em mais uma. Brincadeiras à parte, fazer uma campanha desse tamanho no Brasil é uma experiência única. Eu costumo dizer que fazer campanha é como treinar em altitude para depois, na publicidade tradicional, jogar no nível do mar. Depois de uma campanha, nenhum prazo é tão curto, nenhum problema é tão difícil, nenhuma verba é tão insuficiente. A gente de fato aprende a se virar com pouco. E fazer bonito. Esse ano resolvi dividir alguns aspectos bacanas, principalmente de design, TV e internet, da campanha nesse diário de bordo aqui ("diário" mesmo, se o trabalho permitir).